Como a extinção de grandes mamíferos muda os ecossistemas | Modern Society Portugal

Como a extinção de grandes mamíferos muda os ecossistemas

Como a extinção de grandes mamíferos muda os ecossistemas | Ecologia

Já lá vão os tempos em que mamutes habitavam a América do Norte: há cerca de 12 mil anos estes (e outros) grandes mamíferos começaram a extinguir-se por lá. Agora, num artigo publicado na última edição da revista Science, uma equipa internacional de cientistas – que inclui um investigador da Universidade do Algarve – concluiu que as espécies de mamíferos sobreviventes dessas extinções mudaram a sua forma de interacção umas com as outras e dispersaram-se pelo território. Como as extinções continuam hoje em dia, esta é uma forma de prever as profundas mudanças que os desaparecimentos dos grandes mamíferos podem causar no planeta.

A ameaça é actual: os grandes mamíferos continuam a enfrentar risco de extinção. “As actividades humanas colocam os mamíferos de grande dimensão num elevado risco de extinção, e as perdas podem ter graves repercussões nos ecossistemas”, alerta-se no artigo científico. Para perceber quais as consequências das extinções actuais, a equipa estudou o resultado dos desaparecimentos de grandes mamíferos entre o final do Pleistocénico (há cerca de 12 mil anos) e o Holocénico (época iniciada há 12 mil anos).

Em busca pelos desaparecimentos do final do Pleistocénico, a equipa analisou registos de 93 espécies de mamíferos em centenas de sítios paleontológicos da América do Norte. Estes locais pertenciam a três intervalos temporais: entre há 21 mil e 11.700 anos (quando as extinções começaram); de há 11.700 a 2000 anos; e há 2000 anos até ao presente. Assim, verificou-se quais as espécies que coabitavam nos mesmos sítios antes e depois das extinções do final do Pleistocénico, bem como se viviam mais separadas ou mais agregadas umas das outras no continente.

Resultado: as espécies de mamíferos sobreviventes coabitaram umas com as outras de forma mais frequente durante o Pleistocénico (entre há 2,5 milhões e 11,7 mil anos) – antes das extinções – do que actualmente.

“O grande resultado deste estudo é que, na última vez que um grupo de mamíferos de grande dimensão se extinguiu, os sobreviventes mudaram a forma como interagiam uns com os outros”, resume ao PÚBLICO Anikó Tóth, cientista na Universidade de Macquaire (na Austrália) e primeira autora do estudo, que teve a participação do antropólogo René Bobe, do Centro Interdisciplinar em Arqueologia e Evolução do Comportamento Humano da Universidade do Algarve. “Isto teve impacto na forma como partilharam o espaço no continente.”

Após a extinção de grandes mamíferos, como o mamute e o mastodonte na América do Norte, as espécies sobreviventes – que eram mais pequenas – distanciaram-se umas das outras. Desta forma, terão reduzido a frequência com que interagiam com os seus predadores, presas e competidores territoriais.


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